Sunday, January 20, 2008

as mãos

Eduardo White é um escritor/poeta moçambicano que tem um livro único chamado ” O manual das mãos”:

” Vamos à varanda. Eu e as mãos. Uma brisa far-nos-á bem por esta altura. Olho o céu límpido. Estranho a lua, a presença dela lá. Nostálgica prata a sua,minério verbal da saudade.”

Ivan Lins tem um disco com o mesmo nome , ” As mãos”, ouvi-o quando ainda pequena e por mais que o desejasse nunca o consegui ter. 

As mãos. Que são nossas. Mas que nos possuem. Que nos sustentam. Que nos enraízam. Que se orientam sem nos pedirem. que são.     

Posted by umpassoatrasumpassoafim at 19:15:09 | Permalink | Comments (4)

Friday, January 18, 2008

Cesariny

“O meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenado à morte!” Cesariny

eu vou ser sempre pequena. o que vale é que me empoleiro nos ombros de outros maiores do que eu e me sinto grande. é o caso de Cesariny. há quem faça falta. porque incomoda.porque não se cala. porque é autêntico.estou a ler “autografia”, a entrevista-documentário feita/realizada por Miguel Gonçalves Mendes, e que prometeu ser concluída antes da morte de CesarinY(e cumpriu!: “-Quando eu morrer fazes aquele filme lindo?;- vou fazer antes do Mário morrer”)

diz o Mário o que, penso, todos dizemos para o mais interior de nós:
” Houve um homem, agora não me lembro do nome dele, um francês casado com uma filha do MArx, que escreveu um livro(Direito à preguiça), em que dizia aos trabalhadores, quando eles pediam trabalho: vocês não peçam trabalho, vocês peçam lazer e descanso, que há muita gente que não faz nenhum. Que se isto tivesse uma organização capaz, ninguém no mundo precisava de trabalhar mais de três horas por dia.”

Posted by umpassoatrasumpassoafim at 20:21:01 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, January 17, 2008

Por vezes andamos esquecidos de nós. ou mudamos e o nós que pensamos esquecido é já outro. apetece um tempo denso.revoltamo-nos contra o que não chega, ou não sabemos aceitar que o que chega chega. que o que temos é suficiente para a sede. é que há quem não beba de fontes e pense viver, e isso intriga-me, faz-me pensar que há uma perda progressiva das ilusões, como se eu fosse uma qualquer coisa que se vai diluíndo pelos dias. tinta sobre água.
Posted by umpassoatrasumpassoafim at 19:26:57 | Permalink | Comments (2)

os braços

” Os braços

Como viver? Não há outra pergunta séria.
Um velho com o braço direito partido
folheia o jornal com a mão esquerda.
Penso: assim seria mais fácil.
    O corpo a decidir por nós
Olho para mim: os dois braços intactos.
    Que fazer?”     
                 Gonçalo Tavares  

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