viver sempre
Viver sempre também cansa!
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“Viver sempre também cansa! |
José Gomes Ferreira
Viver sempre também cansa!
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“Viver sempre também cansa! |
José Gomes Ferreira
Julgo que é este o amor que desejamos todos. Sem contextos, sem rotinas. Absoluto. Que doa alguém a ideia da nossa morte como algum de terrífico. O grande amor.
julgo que a desadequação entre o que sonhamos e o que podemos realizar é tão catastrófico que faz frio até À medula.
Julgo que é assim.
Não sei.
Parte de mim. Este corpo. A matéria actualizando-se dia a dia para a morte. Órgãos, carne, nervos e este peso.
Parte de mim. A forma, a potência, a sede. As asas amputadas. A terra. As raízes necessárias.
Metade de mim, os vínculos ao olhar, ao todo de nervos e fome. A casa que nos habita.
Metade de mim, a viagem. A primeira morada. A única casa.
” ALguns -
quer dizer nem todos,
nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez dois em mil.
Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se de lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.
De poesia -
mas o que é a poesia?
algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.” W.Szymborska